segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mais um.


Mais um dia. Como de costume, abria seu notebook e acessava o e-mail, pedindo aos céus que não encontrasse novos problemas na caixa de entrada. Era fácil se deixar prender pelo olhar depois que isso acontecia. Fechava o navegador e, de súbito, se deparava com o papel de parede: dois seres sorridentes num abraço incontido, que o permitia demorar sempre um pouco mais para admirar a cena. E, depois desse ritual, era a hora de descer as escadas e pontuar, mentalmente, as atividades para o dia.
Por incrível que pareça, naquele dia não havia muito a fazer, as férias estavam chegando e os professores, terminando as provas. Faltava uma, apenas, e o que deveria ser feito era simples: pegar a mala, colocar no carro e dirigir, por quilômetros quase sem fim nesses últimos meses, para chegar ao desconhecido, onde só uma coisa importava. O sorriso.
Era tudo incerto, confuso. Mas àquele ponto, a confusão já havia se transformado em certeza, afirmação. Talvez ele pudesse dizer escolha. Soava estranho o fato de se desejar algo tão distante, do tipo que se encontra em qualquer lugar, basta olhar com mais atenção. Mas a confusão e sua certeza já estavam instaladas... Não parecia acreditar na eternidade, apenas tempo de agora, o mesmo que sua mente passava vagando em outros lugares que não aquele. Só que... aquele sorriso, ele era mais. Como se, por si só, tivesse a capacidade de doar uma alma inteira apenas por mostrar-se, ou aquecer como o Sol. Viu? Confuso.
O telefone tocou. Por problemas de saúde, o professor adiara a prova, aquela última, para a volta às aulas. A maré de sorte havia se mostrado e, como um desesperado, subiu correndo as mesmas escadas, catou a primeira mala que viu e simplesmente jogou as primeiras roupas que encontrou. Vestiu algo confortável, eram umas oito horas na direção, na solitária, correndo pela companhia. Deixou um bilhete: Viajei. Não se preocupem, adiantei as férias. Abraço. Abriu a porta, sentou, olhou pelo retrovisor e nem se reconheceu. Um sorriso, que de tão grande quase lhe fechava os olhos. Estava indo buscar o Sol.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário