quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Diálogo de um monólogo (Ou seria Monólogo de um diálogo?)


Minha nossa! Era sono demais pra uma pessoa só. Tanto por fazer, e parecia que ali havia apenas um corpo, inerte. Lá fora, as máquinas faziam barulhos, num vai e vem pela rua que estremecia o vidro da janela. No som, tocava aquela música que lembrava o tudo e o nada. Uma passada pelo espelho.
- Você é maluca.
Sempre que possível, fazia bem conversar consigo mesma. Era como concordar e discordar de todas as coisas que estava fazendo. Naquela conversa, eram duas pessoas, com duas coisas na cabeça: você está certa, e incrivelmente feliz; você é louca e vai se ferir, muito. O mais importante nisso tudo era que, embora as personagens desse diálogo sempre se confrontassem, divididas entre o certo e o errado, acabavam por escolher a mesma opinião, como se no final da discussão chegassem à conclusão de que a prioridade, no momento, era a busca do equilíbrio.
Era essa busca, a peça que fazia toda a diferença, que justificaria todo o mal ou bem que se colhesse à frente. E nisso, não só as duas concordavam, mas outras mais, as guardiãs. O trabalho delas era, de tão complexo, simples: tentar entender e aceitar.  
- Eu posso arcar com as consequências.
- Não, você não pode.
- Posso. Ou não. Mesmo assim, valeria a pena.
- Sim. Valeria a pena.
Um eco, sempre, a cada diálogo interno. Costumava vir depois de uma ligação, uma vídeo-chamada, um sorriso bobo depois de um bom dia, a leitura e releitura das palavras de e-mails trocados, ou, mais simples, sempre antes de dormir. Mas ela sempre sabia quem ganhava. Na verdade, nenhuma das duas. Um terceiro personagem, que fazia tudo parecer mais fácil, mantinha o equilíbrio daquele sistema e despertava um medo, como nunca visto antes. O medo de atravessar a porta sem saber o que havia do outro lado, sem saber pelo que lutar ou o que esperar. Mas, como ela sempre soube, era tudo uma questão de equilíbrio. 

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