Um velho alguém que invade o coração: não deixa pistas, só uma sensação de bem-estar sem fim... A vida é uma caixa, não só de surpresas, mas de antigas recordações, guardadas a sete chaves, cujas lembranças às vezes nem nós, donos, sabemos existir. Lembranças de épocas em que viver era mais fácil, amar também. Coisas que não sentimos falta até perder, mesmo ao alcance das mãos. Mas vem a felicidade em retomar tudo, mesmo que não de maneira plena: reviver os sorrisos e a cumplicidade de outrora, agora sem a sensação aterradora de ter que sorrir por obrigação. Fazê-lo porque vem de dentro, é sincero. E admitir que a falta que um dia fez, que em partes ainda faz, fez-me entender o quanto tudo aquilo era essencial à minha existência...
Algo tenho a comentar sobre aulas não tão bem sucedidas: eu realmente aprendi que matéria e energia não deixam de existir, apenas se transformam. Assim mesmo é o amor. O que habita dentro do meu peito continua, enorme como sempre, mas pode se transformar ao longo da convivência. Vai ver, não era a hora certa. E quando a pessoa e a hora não coincidem, não há como ter sucesso nisso. Aí o amor se transforma. Primeiro, em um ressentimento, por explicações vagas, sorrisos perdidos. A seguir, em amor de novo, e novo, completamente renovado, livre de tudo que possa o abalar. É do orgulho e da felicidade que sinto em sentir esse amor em mim, do orgulho que ele me traz e, por que não, do destino que foi mestre e sabia que eu teria que passar por tudo o que passei pra aprender que, não importa o que aconteceu, é impossível deixar de amar alguém que se amou um dia, mesmo e, principalmente, que esse amor se transforme, ele sempre estará lá, para contar a sua história, a história de um velho alguém.