O banho havia sido tudo, depois
daquela maratona. Entre ônibus, avião, escala, avião, ônibus, chegar ao hotel, ter o direito de passar quase meia hora no chuveiro era uma bênção. Cabelo
molhado, a vontade maior era a de dormir, mas, embora o corpo clamasse por
isso, sua mente ainda ficaria acordada por um bom tempo. Estava no oitavo andar
e, lá em baixo, passavam centenas de carros, indo e vindo de todos os lugares
possíveis. Num impulso de curiosidade, sentou sobre a mesa que ficava em frente
à pequena janela, afastou as cortinas e a abriu. Abraçou suas pernas, apoiando
o queixo nos joelhos, e ficou ali, a admirar as luzes da cidade.
O vento que entrava era frio, mas
não existia rejeição alguma àquela sensação. Pensava no fato de que a maioria
das pessoas com as quais convivera até ali pensava apenas em diversão,
despreocupação, descompromisso com o futuro. Entretanto, aquelas pessoas não
estavam ali, naquele momento, para descobrir o que realmente valia. Ninguém
nunca imaginou que ela estaria assim, um dia. Não tão cedo. Tudo tinha valido a pena. Valeria, por
quanto tempo fosse.
Voltando a si, ao quarto,
percebeu que seu corpo reclamava, não mais pelo cansaço. Estava com fome.
Imediatamente fechou a janela, desceu da mesa, trocou de roupa e saiu à procura
do que comer. Aproveitando a deixa, resolveu nem ir ao bar do hotel, passando
direto para a rua. Logo encontrou um restaurante, comida italiana. Como era
estranho dividir uma mesa com o nada! Mas não havia ressentimento por isso,
estava tranquila.
Retornou. Só restava uma coisa a
fazer naquele dia. Tirou o cartão da bolsa, abriu a porta, lembrando-se de
pendurar o “Não incomode”. Vestiu a roupa de dormir, pegou seu computador, deitou
numa cama confortável, convidativa. Abriu a página do e-mail e com um singelo ‘Cheguei. A viagem foi tranquila. A vista é
boa. Estou com saudades. Beijo.’ avisou que estava bem. Era hora de dormir,
preparar-se para um novo dia, cheio de surpresas, sonhos e projetos. Um dia de
vencer.
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