domingo, 12 de agosto de 2012

Fênix


Não era o sonho que era bom. O medo de acordar, de cair na real, isso sim era forte demais. Impedia-a de pensar. Sobre todas as coisas que haviam acontecido, pela magia de como as palavras pareciam ter efeito, não aos ouvidos, mas ao coração, é que agora acordar doía tanto. Ela era consciente da decisão. Sabia que fizera a coisa certa. Mas, ainda assim, magoava aquele pensamento. O status mudara de um dia para o outro, mas a alma levaria mais tempo.
Tinha certeza de que ficaria bem. Já passara por aquilo muitas vezes, um processo de desintoxicação, quase. Era difícil, cruel consigo mesma. Mas, no fim das contas, não lhe caía bem adiar sofrimento. Diante do espelho, consolava a si mesma, repetindo um mantra: eu me amo, não estou só.
Aos olhos dos outros, soava piegas as suas maneiras de expressar o que sentia. Com coisas feitas à mão, escritas, significativas, era que se tentava dizer o quanto era feliz em ter aquele nome na mente. Com toda a certeza que nunca teve em qualquer outra época, ela sabia que vivera os melhores momentos da sua vida, não porque tivesse conhecido novos lugares, ou saído pra jantar várias vezes, mas porque havia sido amada de uma maneira inigualável. Era compreendida e se fazia compreender. Mas agora, quando nada daquilo existia, apenas a tristeza, no fundo ela sabia que não podia se queixar, porque as coisas eram assim. Rápidas. Ninguém lhe disse, nunca, que a felicidade durava. E, se durasse, fosse monótono também, não seria felicidade. Agora, existia algo bom a se fazer, não por ninguém, mas pelo alguém que ela mais amava: a si mesma. Sua tarefa era sarar. Preparar-se para outra maré de felicidade, colocar um sorriso sincero no rosto e viver, encontrar seu tempo e a ela mesma no mundo.

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