Não era o sonho que era bom. O medo de acordar, de cair na
real, isso sim era forte demais. Impedia-a de pensar. Sobre todas as coisas que
haviam acontecido, pela magia de como as palavras pareciam ter efeito, não aos
ouvidos, mas ao coração, é que agora acordar doía tanto. Ela era consciente da
decisão. Sabia que fizera a coisa certa. Mas, ainda assim, magoava aquele
pensamento. O status mudara de um dia para o outro, mas a alma levaria mais
tempo.
Tinha certeza de que ficaria bem. Já passara por aquilo
muitas vezes, um processo de desintoxicação, quase. Era difícil, cruel consigo
mesma. Mas, no fim das contas, não lhe caía bem adiar sofrimento. Diante do
espelho, consolava a si mesma, repetindo um mantra: eu me amo, não estou só.
Aos olhos dos outros, soava piegas as suas maneiras de
expressar o que sentia. Com coisas feitas à mão, escritas, significativas, era
que se tentava dizer o quanto era feliz em ter aquele nome na mente. Com toda a
certeza que nunca teve em qualquer outra época, ela sabia que vivera os
melhores momentos da sua vida, não porque tivesse conhecido novos lugares, ou
saído pra jantar várias vezes, mas porque havia sido amada de uma maneira inigualável.
Era compreendida e se fazia compreender. Mas agora, quando nada daquilo
existia, apenas a tristeza, no fundo ela sabia que não podia se queixar, porque
as coisas eram assim. Rápidas. Ninguém lhe disse, nunca, que a felicidade
durava. E, se durasse, fosse monótono também, não seria felicidade. Agora,
existia algo bom a se fazer, não por ninguém, mas pelo alguém que ela mais
amava: a si mesma. Sua tarefa era sarar. Preparar-se para outra maré de
felicidade, colocar um sorriso sincero no rosto e viver, encontrar seu tempo e
a ela mesma no mundo.
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