Alguém certo dia me propôs que eu fizesse algo, um texto que pudesse descrevê-lo. Não consigo, respondi, alegando a falta de conhecimento acerca. Como poderia traduzi-la em palavras, se elas faltam até para mim, quem melhor me conhece? Isso é loucura! Mas, quem sabe tentando, acho os termos que ainda não encontrei para mim?
Uma das coisas que aprendi nas aulas de biologia é que se passaram bilhões de anos desde o surgimento. Desde tudo. Mas esqueceram de avisar que nem tudo dura tanto. Privaram-me de saber que o que divide o amor do ódio, a vida da morte, mora numa linha tênue de tempo. O mesmo tempo que demorou tanto do início até aqui. Tenho uma confissão: toda a pouca memória guardada para você foi esquecida numa dessas linhas que dividem tudo. Uma nova foi imediatamente montada. Totalmente vazia, mas pronta para ser preenchida e, esta sim, guardada por muito mais tempo que a anterior.
O que veio a tona imediatamente: ali dentro havia um ser humano com um ego acima do comum! Equiparado ao de um super-herói, quase indestrutível. Qual a chave para um muro alto o bastante que não permitisse praticamente ninguém dizer: eu o conheço!? Eu não arriscaria. Não arrisco. Trata-se da superfície de um lago durante o inverno temperado: nunca sabemos se é seguro andar sobre sua superfície congelada.
Assim, me viro do avesso. Gente como eu pede por clareza, teme obscuridade como à morte iminente. E ao se encontrar em tal situação, teme, por ser a única coisa a se fazer. A única coisa segura a se fazer. Entretanto, os ventos mudam de direção. Quando eles mudam, percebe-se a fragilidade mínima, os espaços vagos, prováveis invasões. Agir. Invadir. Explorar.
Perceber que os super-heróis também têm medo é reconfortante. Seriam eles quase humanos? Ou quase sobreviventes? E qual a diferença? Super-heróis tentam salvar. Seres humanos, perder. Perder-se no riso, na reclamação, na força de vontade, na garra. No grito. E ele é assim, simplesmente porque quer ser. E será. A determinação é sua irmã, o ego, irmão. E a preguiça? Fico em dúvida se mãe, avó ou esposa! Sem contar o dengo e a manha.
Age como menino travesso, tentando se passar por ser inocente, disposto a romper todos os limites possíveis. Isso não importa, pelo menos não na maioria das vezes. Já aprendi a te frear. Já consigo lidar com seu ego, sua preguiça, sua disposição a bancar carência. O resto não importa, repito. Incrivelmente, não há medo. Espera, cautela, mas não medo. Sinistro, parece que a gente se deu ao desfrute de nada! Sabe, eu te estudo sem me aproximar... O teu santo gringo me mostrou teu mundo, vi que no escuro tu ficas a chorar.
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